segunda-feira, 1 de fevereiro de 2016

Quem diria...


(foto minha)

Quem diria
Quem diria que um dia,
Também tu viverias estes traços de amor.
E sem querer parecer já te envolvias
Nestes quadros agrestes pintados sem cor
Correntes da moda onde amor fazias.

Quem diria
Quem diria que um dia,
Por aqui passarias sem arte nem agrado.
E alguém mais treinado o alerta fazia:
- Cuidado! Podes cair e ficar magoado.
Sendo bom o conselho, não o entendias.

Quem diria
Quem diria que um dia
Também viverias todos estes dramas
Quando te diziam o que tu já sabias,
Mas sempre escondias os teus falsos planos
E bebias os sonhos, rodilhas e tramas.

Quem diria
Quem diria que um dia,
Também eu quisesse sentir esta dor:
"Amar o que é belo eu sempre podia
Mas ser correspondido eu nunca seria"
Rasgaram-me a alma sem nenhum pudor.
luíscoelho
Fevereiro/2016

sexta-feira, 22 de janeiro de 2016

A barba do avô

Imagem intitulada Shave with a Straight Razor Step 18
(foto google)


Aquietou-se na soleira da porta. Cruzou as pernas e meteu as mãos por baixo da camisola grossa. Parecia guardar ao colo um bebé que protegia carinhosamente, mas era assim que conservava as suas mãos quentes e até ele próprio se sentia mais confortável.

Olhava para o lado poente numa postura estática. Parecia viajar num sonho ou outra aventura que nos era vedada. Quando chegámos fizemos silêncio. Pensámos que estivesse a dormir e não quisemos perturbar-lhe o descanso.

Mas o avô quando fechava os olhos continuava a trabalhar. Disse-nos um dia que muitos dos seus trabalhos foram feitos enquanto dormia. Chegava a vê-los feitos.
Assim construiu as suas próprias ferramentas usando apenas os materiais que tinha disponíveis.

Construiu um esmoril (instrumento para desgastar ou afiar objectos de corte). Uma broca (instrumento para furar madeira ou mesmo chapa)
Uma espingarda e tantas outras coisas que lhe ocuparam os dias e aqueles tempos livres da vida no campo. 

Na cabeça tinha um boné amarelecido e um pouco desfiado. A pala dobrada protegia-lhe o olhar. Era necessário chegar perto dele para descobrir o azul suave dos seus olhos. 
O rosto tinha algo misterioso. Os pêlos da barba pareciam agulhas espetadas simetricamente. Só se barbeava uma vez por semana. 

Era um ritual que pude observar algumas vezes. Sozinho, diante de um espelho, fazia tudo com muita paciência e a arte de se barbear sem se magoar.
A navalha dobrava-se em L e cortava como uma lanceta. Poderia mesmo ser um perigo para qualquer um de nós.

Afiava a navalha numa pedra incrustada numa régua de madeira e depois amaciava o fio numa outra régua de um material fibroso. Seguidamente fazia espuma num copo velho, usando restos de sabão, e depois, com um pincel, espalhava tudo sobre o rosto, ficando coberto de uma pasta branca. Parecia  uma máscara.
Finalmente pegava na navalha e dobrando-a em L com a lâmina para a frente e começava o corte. 

A sua sensibilidade ajudava na pressão da navalha sobre a pele e em pequenos lanços começava a rapar a barba e o sabão que ia depositando em pequenas quantidades numa folha de jornal. Fez de um lado e depois do outro sem pressa, mas com o seu jeito de querer parecer bem. Acertou as patilhas e deixou-as com um corte igual de ambos os lados.
Para terminar deu um retoque no seu bigode. 
Nunca precisou de comprar lâminas de barbear pois o seu material era sempre limpo e aguardado num estojo.

Depois de lavar a cara e de se enxugar numa toalha dava gosto olhar para ele. Parecia um homem mais novo e mais sorridente.
O Avô era um homem bonito.
Luíscoelho
Janeiro/2016                                                                                           


quinta-feira, 14 de janeiro de 2016

Novo ano


O Bebé deixou de gritar.
Não quer incomodar os familiares,
Nem os amigos ou os vizinhos. 
Acordou pensamentos de solidariedade.
Os gritos ouvem-se menos que o silêncio. 
Neste olhar nasciam perguntas,
Formavam-se oceanos de esperança. 
Haveria de crescer e amar com regras matemáticas.
É preciso caminhar, escolher os dias e amar sem tempo.
O tempo cria, o tempo ensina e também perdoa.
As perguntas só fazem sentido se tiverem amor.
Vestiu-se sem pressa e bebeu a paz do silêncio.
Equilibrou-se no olhar o mundo e esta forma de pensar.
Finalmente decidiu caminhar devagar seguramente
E amar. Amar sem pressa, sem a pressa do tempo.
Viver é uma escola continuamente presente
Luíscelho
Janeiro 2016

segunda-feira, 4 de janeiro de 2016

Já nasceu.


O Blogue  - lidacoelho, chegou ao fim. 
Tudo aconteceu no final do ano de 2015. Não sei as razões. 
Depois de ter publicado - Prenda de Natal, surgiu uma administradora não convidada, que teimosamente queria fazer parte de todas as minhas contas do google - blogue e gmail.
Por mais vezes que fizesse delete, ela voltava sempre na abertura seguinte.

Pedi ajuda e fiquei mal servido. Alterando a conta de hotmail para gmail, fiquei sem acesso ao meu lidacoelho. Apenas podia ler e comentar outros comentários.
Não podia escrever novos textos nem ainda ver os inúmeros blogues de que sou seguidor - Painel. 

Esta noite dormi e acordei com mais esta preocupação. 
Todas as buscas feitas foram infrutíferas.
Pensei num novo blogue.
Devagar ele foi nascendo. Chama-se: Madrugadas.
Para  o deixar mais confortável, vesti-lhe as roupas de 2015.
Do outro lado, em lidacoelho, ficaram os mesmos textos e todos os comentários.

Convido-vos a visitarem este novo espaço. 
Irei manter as publicações duas ou três vezes por mês, de modo que as visitas se sintam bem e sem me tornar cansativo, repetitivo.

Por último resta-me desejar a todos um Bom Ano - 2016.
Saúde, Paz e Amor
Luís Coelho  

http://zitorodriguescoelho.blogspot.pt/

Frio

 Banco de Imagem - gelado, e, sozinha. Fotosearch - Busca de Fotografias, Fotografia Poster, Imagens e Fotos Clip Art
(foto google)

Hoje o frio era mais frio. 
Já ninguém se lembrava de um dia assim. Era um frio de cortar. Gelava-nos por fora e por dentro e a noite prometia ser ainda mais dura.
As bátegas de chuva batiam descompassadas no telhado da casa. Às vezes o granizo tornava os batimentos mais graves e acelerados.

Tinha anoitecido mais cedo. As nuvens escuras cercaram tudo por ali à volta. Não se via ninguém nos campos. Era um mundo de silêncio.
Embrulhados numa serapilheira grossa foram acomodando todos os animais domésticos. Parecia que também estes procuravam um abrigo mais seguro, deixando transparecer o medo que os possuía.

Finalmente o pai entrou em casa. A sua presença dava-nos mais segurança. Trazia um molho de cavacas secas e um brilho de coragem e determinação no olhar. Tinha acabado o seu dia de trabalho. 
Pousou as cavacas num canto perto da lareira e depois foi tirar aquela serapilheira que lhe servia de capa. Sacudiu-a e pendurou-a num cabido que estava no alpendre à entrada da cozinha.  Finalmente sentou-se ao pé de nós.

Sem pedir licença fomo-nos encostando a ele. Estava gelado. Não nos afastou, mas abriu aquelas mãos grandes e voltando as palmas para a fogueira disse: 
- Ah...Que bom!Aqui estamos melhor.
Até parecia que estava com vontade de meter as mãos dentro das chamas. O cheiro das suas roupas ainda carregadas de chuva vieram ao nosso encontro quando o apertamos.
Depois procuramos um lugar nas suas penas e sentámo-nos um em cada joelho. Ele protegia-nos do calor com aqueles braços fortes que nos seguravam com carinho.

A mãe cuidava da ceia, mas os seus olhos estavam em nós. A frente da lareira estava livre para ela poder ver a panela da sopa.
Não sei o que comemos nessa noite. Muitos dias eram as sobras do almoço. 
Ao meio-dia, era servido um prato de sopa grossa. Nunca havia segundo prato, mas havia o "conduto" que era um pedaço de toucinho cozido com a sopa.
 Não éramos ricos, nem se podia desperdiçar nada.
Algumas vezes, a mãe juntava um copo de água nas sobras do almoço e depois, quando a panela começava a ferver, juntava um punhado de massa grossa e temperava com azeite e uma pitada de sal. 

No serão de hoje o pai, para nos distrair, perguntou:
- Vocês sabem quem é mais forte: O Sol ou o Vento?
Eles fizeram entre si uma aposta.
Quem seria capaz de tirar o casaco a um homem que caminhava na estrada.
Depois em silêncio olhou para nós e deixou-nos responder.
Afirmámos que era o vento. Aquela força que abana  as árvores ou que faz mover as velas de um moinho era o mais forte e respondemos convencidos da nossa verdade. Era o vento.
Logo aquelas cabecitas, encheram-se de respostas.
Era o vento! Era o vento! Só pode ser o vento que arranca as grandes árvores e que faz andar as nuvens...
Mas nós queríamos a resposta do pai. Tudo quanto ele nos dissesse  era o mais verdadeiro. O pai disse e pronto! Não há mais dúvidas.

Um sorriso calmo desenhava-se nos seus olhos o que  fazia aumentar as nossas dúvidas. 
- Será o Sol pai? Perguntou o mais velho.
Naquele momento e conservando aquele brilho no olhar contou-nos a história de um caminhante.
- Seguia pela estrada um homem, com o casaco vestido.
Estava muito vento. Pensei que a força do vento lhe arrancasse o casaco, mas quanto mais vento fazia mais ele apertava o casaco.
Durante algum tempo segurou o casaco com as duas mãos chegando quase a desequilibrar-se.
O vento não conseguiu vencê-lo.

Depois, num outro dia, o mesmo homem caminhava pela mesma estrada, mas estava muito sol.  O dia foi aquecendo e o calor do Sol obrigou-o a despir o casaco. O sol venceu.Tem mais força que o vento.

Oh! Mas assim não vale...O homem é que quis tirar o casaco...disse o mais pequenito.
Reparem que isto da Natureza não é bem assim. Um não é mais forte  que o outro. São apenas diferentes.  O Sol, o vento, a chuva ou a água são precisos para podermos viver com harmonia.
Cada coisa tem a sua importância e sem eles não poderíamos viver.  

A ceia estava na mesa.
Sentaram-se e comeram em silêncio.
Agora as colheres andavam mais lentas e já era com algum esforço que iam bebendo aquele caldo. O sono tornava-se cada vez mais atrevido.
Então a mãe pegou-lhes ao colo e deitou-os nas suas caminhas.
O dia foi grande nas suas corridas.  Brincadeiras que os ajudavam a crescer.
Luíscoelho
Janeiro/2015

Semear amor


Fotografia

Semeei-te de esperanças 
Neste amanhecer de palavras.
Recordações de amantes, 
De cores perdidas, errantes,
Que por querer já são escravas
Rejeitando outras alianças.

E até no entardecer dos dias 
Fomos semeando sonhos no olhar:
Searas simples de dor e penas,
Dias felizes de cores amenas.
Caminhadas que fizemos para chegar
Onde germinam tantas alegrias.

Campos semeados de ternura,
Espaços de alegria e de tristeza,
Conquistas que nos encheram de brio
Num tempo de amar ao desafio.
Sementes de amor e de beleza
Fizeram novos dias, nova cultura.
luíscoelho

Janeiro/2015

A menina Maria




(Noras no Moinho de Papel -Leiria)

Em Novembro de 2011 publiquei a história da Maria aqui no blogue. Recriei as magras lembranças que me sobraram e outras que eram do conhecimento público.
Esta semana tive conhecimento de mais abusos que lhe vão amargurando os dias. Agora com 82 anos sobram-lhe as doenças, o frio e o desprezo dos que deviam dar-lhe a mão.

Alguns dias, sem ter nada na mesa para se alimentar, vem para a rua e caminha sorrindo para todos. Na sua alma carrega a esperança de que alguém a irá ajudar.
- Será que alguém me vai oferecer um prato de sopa? Até mesmo um caldo de água quente?

Ontem dividiu a última fatia de pão em duas. O pão estava ressequido de tanto o guardar, mas os seus olhos brilharam de esperança pois cada parte seria um esconder da sua fome.
Hoje era dia de festa. Havia pão para o almoço. 
Depois será o que Deus quiser.
Juntou as duas mãos de silêncio. Orou e agradeceu.

Nem sabe quanto tempo ficou ali parada em frente daquele pedacinho de pão. Foram tantos os pensamentos que a assaltaram bruscamente e outras memórias que, sem querer, a fizeram reviver datas anteriores. Foram dias de mesa farta com pão para todos. Até os cães tinham direito a um caldo quente.
  
 
Hoje sobra-lhe um caneco com água da fonte. Santo Amaro alimenta-me com esta água que corre graciosamente na bica, ali à beira da estrada. Lá todos podem beber sem pagar, sem pedir por favor. A fonte é pública.

- Ai, meu Senhor e meu Deus! Ao que nós chegamos...Diz tentando aceitar toda a dor e tristeza.
À noite esconde-se como pode numa enxerga onde até os cobertores lhe cheiram ao bolor de uma sociedade falsa, hipócrita e injusta.
- Meu Deus se tanto pequei peço-Te perdão. Ajuda-me e dá-me forças para continuar a resistir.

Na sua humildade abdicou do usufruto daquela casa que foi depois vendida em hasta pública. 
Agora os novos proprietários querem forçá-la a sair de lá. Primeiro pediram-lhe aumento da renda. Depois entraram e roubaram-lhe as suas coisas. Levaram o que quiseram e espalharam o que sobrou pelo chão .

Recentemente cortaram-lhe os canos da garrafa de gaz de modo que o mesmo se espalhasse pelo interior da habitação.
Ao aproximar-se e sentindo o cheiro foi pedir socorro aos vizinhos que desligaram a garrafa e depois o quadro eléctrico.

O medo começa a tomar conta de todos os seus movimentos.
- Não tenho para onde ir. Não tenho família. Não tenho dinheiro.
A Maria desconhecia por completo o drama dos seus dias.
Prometeram deixá-la viver ali no seu canto, mas logo depois começaram as exigências.
Primeiro uma renda, depois um aumento para o dobro.

Finalmente são as ameaças.
- Tens de sair daqui. A bem ou a mal vais ter de sair. 
Agora são estes os sons que constantemente ouve dentro de si. 
Caminha e vai sorrindo.
Em silêncio suplica a Deus por misericórdia porque dos homens já nada espera, embruteceram no ódio, no desprezo e indiferença...
- Que será de mim?
Luícoelho
Janeiro/2015

Primeira Parte 

Menina e moça a trouxeram da sua aldeia, da sua casa e da sua família. Prometeram-lhe um mundo de felicidade e bem estar. 
Era uma moça vistosa, bonita e simpática.
O patrão, era um homem rico. Viúvo há bastantes anos, desde o nascimento da sua filha. 
A Maria cedo se viu dona de uma casa que não era a sua. Sozinha tinha de dar conta da cozinha, dos quartos e das roupas. Era muito trabalho.

O patrão era dono de uma das casas mais ricas desta região. Era uma casa agrícola mas tinha também uma parte comercial. Revenda e comércio de adubos, roupas e mercearia.
Havia trabalhadores fixos e outros que eram assalariados ao dia ou à semana. Trabalhadores a seco. Não tinham direito às refeições.

Cedo a Maria viu as manhas e artimanhas do patrão. Estava sempre a exigir mais trabalho sem recompensa nem pagamento.
Nesta casa não havia horários para os empregados terem os seus dias de folga ou as horas para descanso. Tinham de estar sempre disponíveis para todo o serviço e com boa cara.

Cedo a Maria conheceu a violência do seu amo que a forçava e a violava a seu belo prazer sempre que lhe apetecia.
Ela era franzina e não conseguia fazer-lhe frente e ele era manhoso e mau. Depois de a trancar num quarto obrigava-a a todas as sevícias de que era capaz. 
No fim exigia silêncio absoluto

A Maria vivia assustada pelos abusos diários e pelas dores que lhe causava, mas deixou-se vencer pelo medo. 
Se falasse ninguém iria acreditar nas suas palavras. Ele era um empresário rico e muito temido. 

Em troca do silêncio foi-lhe prometendo uma casa. 
- Um dia serás uma senhora e poderás viver a tua vida!...
A Maria viu outras moças serem abusadas pelo patrão e aqui as ameaças foram ainda maiores e mais graves.
- Se abrires a boca mato-te. Ficarás sem nada do que te prometi e ninguém acreditará no que disseres....

Foram longos anos de sofrimento silencioso até ao dia em que o velho morreu. Ela também tinha envelhecido. Estava magra e nem as roupas escondiam o seu corpo gasto. 
Pensava no seu íntimo - Agora, que irá ser de mim...?!
As filhas são herdeiras de tudo. Ele não passou de um mentiroso que se aproveitou de mim.

No testamento apareceu uma doação de "usufruto" de uma casinha em ruínas para a Maria. Por morte dela esta casinha pertenceria aos netos do falecido. 

Depois do funeral do patrão a herdeira mais velha, viúva e sem filhos, mandou a Maria, empregada, para a rua. 
- Tens a tua casa vai para lá... Aqui não ficas...
Esqueceu-se de uma vida de trabalho e dos abusos de que ela foi alvo. Ingratidão!... 
-Vou viver de quê...??? Ninguém me pagou, não me fizeram descontos para a Caixa de Previdência...

- A Senhora sabe dos abusos que o seu pai me fez? Julga-me culpada? Engana-se. 
Fui vítima, sem ninguém para me defender....Não podia falar, nem podia fugir....O mal estava feito e todos os dias eu tinha de suportar as dores e o desgosto sem me conseguir libertar daquelas garras.
- Não quero saber de mais nada, respondeu-lhe a herdeira. Hoje mesmo vais sair daqui. Desenrasca-te!

A Maria mudou-se levando consigo algumas coisas que lhe foram oferecendo. Reparou a habitação. Construiu uma casa de banho, e uma pequena horta.

Um dia vieram os herdeiros desta casa com uns papeis para  ela assinar, conta a Maria.
- São coisas das Finanças, não se preocupe. É uma hipoteca. 
Na sua boa-fé assinou sem ler nem pedir ajuda aos entendidos.
A Maria assinou a sua renuncia de usufruto em favor dos herdeiros.
Passados alguns meses, como os herdeiros não pagaram as dívidas, a casa e o quintal foi vendido em hasta pública.

Agora anda desesperada e nem sabe o que vai ser da sua vida.
- Enganaram-me, abusaram-me e agora despejam-me na rua sem nada... A vida foi madrasta má.
- Que mundo cão....que vida triste...
Não se vêem as lágrimas... percebe-se a sua dor e desilusão.
As cores são de um sangue ainda vivo a manchar-lhe os dias ....
Luíscoelho
Nov/2011