sexta-feira, 26 de fevereiro de 2016

Sei que me queres



(Foto minha)

Sei que me queres
Mas já não me amas.
Desejas beber-me
E com poesia me chamas.
Distante o teu olhar 
Recorda a juventude vivida
Em sonhos de amor repartida 
Momentos de fazer sonhar.

Sei que me queres
Mas já não me amas.
A juventude foram pensamentos
Tempestades em dias cinzentos.
Pinturas de lamas
Nas cores do entardecer
Que nos fizeram amadurecer
Sem gritos nem dramas.
luíscoelho
Fevereiro/2016


quinta-feira, 18 de fevereiro de 2016

Copiado do blogue - Arte & Informática

A Idade do "S" (Ari Toledo)

Sabe o que é isso?
É quando o homem atinge 70 anos
Aí tudo de ruim vem pro lado dele.
Eu vou tentar explicar aqui.
São várias frases que terminam com o som de "S".
Vamos lá!


Na idade do "s"
O homem padece
poque ele envelhece,
o cabelo embranquece,
a surdez comparece,
de tudo ele esquece,
a memória enfraquece,
a vista escurece,
reumatismo aparece,
a barriga cresce,
a bunda amolece,
o saco desce,
o pau falece,
quando isso acontece,
o coitado enlouquece,
até reza uma prece,
pra ver se endurece
o pau não obedece,
e quando anoitece,
é que ele entristece,
a mulher oferece,
ele só agradece,
porque não carece.



segunda-feira, 8 de fevereiro de 2016

Sinto fome


Foto google

Abraça-me 
Com a força que tenho em mim
E sacia-me 
Com os carinhos que me fazem reviver.
Beija-me
Com a sede que me queima 
E bebe-me
Em cada amanhecer.

Sinto-me no teu abraço 
Renascer a força que procuro 
E quando o dia escurece
Já me esquece tanto cansaço.

Abraça-me 
Com a força que tenho em mim
E sacia-me 
Com os carinhos que me fazem reviver
Beija-me
Com a sede que me queima 
E bebe-me
Em cada amanhecer.

Fevereiro/2016
Luíscoelho

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2016

Quem diria...


(foto minha)

Quem diria
Quem diria que um dia,
Também tu viverias estes traços de amor.
E sem querer parecer já te envolvias
Nestes quadros agrestes pintados sem cor
Correntes da moda onde amor fazias.

Quem diria
Quem diria que um dia,
Por aqui passarias sem arte nem agrado.
E alguém mais treinado o alerta fazia:
- Cuidado! Podes cair e ficar magoado.
Sendo bom o conselho, não o entendias.

Quem diria
Quem diria que um dia
Também viverias todos estes dramas
Quando te diziam o que tu já sabias,
Mas sempre escondias os teus falsos planos
E bebias os sonhos, rodilhas e tramas.

Quem diria
Quem diria que um dia,
Também eu quisesse sentir esta dor:
"Amar o que é belo eu sempre podia
Mas ser correspondido eu nunca seria"
Rasgaram-me a alma sem nenhum pudor.
luíscoelho
Fevereiro/2016

sexta-feira, 22 de janeiro de 2016

A barba do avô

Imagem intitulada Shave with a Straight Razor Step 18
(foto google)


Aquietou-se na soleira da porta. Cruzou as pernas e meteu as mãos por baixo da camisola grossa. Parecia guardar ao colo um bebé que protegia carinhosamente, mas era assim que conservava as suas mãos quentes e até ele próprio se sentia mais confortável.

Olhava para o lado poente numa postura estática. Parecia viajar num sonho ou outra aventura que nos era vedada. Quando chegámos fizemos silêncio. Pensámos que estivesse a dormir e não quisemos perturbar-lhe o descanso.

Mas o avô quando fechava os olhos continuava a trabalhar. Disse-nos um dia que muitos dos seus trabalhos foram feitos enquanto dormia. Chegava a vê-los feitos.
Assim construiu as suas próprias ferramentas usando apenas os materiais que tinha disponíveis.

Construiu um esmoril (instrumento para desgastar ou afiar objectos de corte). Uma broca (instrumento para furar madeira ou mesmo chapa)
Uma espingarda e tantas outras coisas que lhe ocuparam os dias e aqueles tempos livres da vida no campo. 

Na cabeça tinha um boné amarelecido e um pouco desfiado. A pala dobrada protegia-lhe o olhar. Era necessário chegar perto dele para descobrir o azul suave dos seus olhos. 
O rosto tinha algo misterioso. Os pêlos da barba pareciam agulhas espetadas simetricamente. Só se barbeava uma vez por semana. 

Era um ritual que pude observar algumas vezes. Sozinho, diante de um espelho, fazia tudo com muita paciência e a arte de se barbear sem se magoar.
A navalha dobrava-se em L e cortava como uma lanceta. Poderia mesmo ser um perigo para qualquer um de nós.

Afiava a navalha numa pedra incrustada numa régua de madeira e depois amaciava o fio numa outra régua de um material fibroso. Seguidamente fazia espuma num copo velho, usando restos de sabão, e depois, com um pincel, espalhava tudo sobre o rosto, ficando coberto de uma pasta branca. Parecia  uma máscara.
Finalmente pegava na navalha e dobrando-a em L com a lâmina para a frente e começava o corte. 

A sua sensibilidade ajudava na pressão da navalha sobre a pele e em pequenos lanços começava a rapar a barba e o sabão que ia depositando em pequenas quantidades numa folha de jornal. Fez de um lado e depois do outro sem pressa, mas com o seu jeito de querer parecer bem. Acertou as patilhas e deixou-as com um corte igual de ambos os lados.
Para terminar deu um retoque no seu bigode. 
Nunca precisou de comprar lâminas de barbear pois o seu material era sempre limpo e aguardado num estojo.

Depois de lavar a cara e de se enxugar numa toalha dava gosto olhar para ele. Parecia um homem mais novo e mais sorridente.
O Avô era um homem bonito.
Luíscoelho
Janeiro/2016                                                                                           


quinta-feira, 14 de janeiro de 2016

Novo ano


O Bebé deixou de gritar.
Não quer incomodar os familiares,
Nem os amigos ou os vizinhos. 
Acordou pensamentos de solidariedade.
Os gritos ouvem-se menos que o silêncio. 
Neste olhar nasciam perguntas,
Formavam-se oceanos de esperança. 
Haveria de crescer e amar com regras matemáticas.
É preciso caminhar, escolher os dias e amar sem tempo.
O tempo cria, o tempo ensina e também perdoa.
As perguntas só fazem sentido se tiverem amor.
Vestiu-se sem pressa e bebeu a paz do silêncio.
Equilibrou-se no olhar o mundo e esta forma de pensar.
Finalmente decidiu caminhar devagar seguramente
E amar. Amar sem pressa, sem a pressa do tempo.
Viver é uma escola continuamente presente
Luíscelho
Janeiro 2016

segunda-feira, 4 de janeiro de 2016

Já nasceu.


O Blogue  - lidacoelho, chegou ao fim. 
Tudo aconteceu no final do ano de 2015. Não sei as razões. 
Depois de ter publicado - Prenda de Natal, surgiu uma administradora não convidada, que teimosamente queria fazer parte de todas as minhas contas do google - blogue e gmail.
Por mais vezes que fizesse delete, ela voltava sempre na abertura seguinte.

Pedi ajuda e fiquei mal servido. Alterando a conta de hotmail para gmail, fiquei sem acesso ao meu lidacoelho. Apenas podia ler e comentar outros comentários.
Não podia escrever novos textos nem ainda ver os inúmeros blogues de que sou seguidor - Painel. 

Esta noite dormi e acordei com mais esta preocupação. 
Todas as buscas feitas foram infrutíferas.
Pensei num novo blogue.
Devagar ele foi nascendo. Chama-se: Madrugadas.
Para  o deixar mais confortável, vesti-lhe as roupas de 2015.
Do outro lado, em lidacoelho, ficaram os mesmos textos e todos os comentários.

Convido-vos a visitarem este novo espaço. 
Irei manter as publicações duas ou três vezes por mês, de modo que as visitas se sintam bem e sem me tornar cansativo, repetitivo.

Por último resta-me desejar a todos um Bom Ano - 2016.
Saúde, Paz e Amor
Luís Coelho  

http://zitorodriguescoelho.blogspot.pt/