sexta-feira, 24 de junho de 2016

Comentário


Agradece às tuas memórias, à tua narração humilde e interessante. É por aí que te conheço; é por aí que se conhecem as pessoas. Repara: tu podes ter convicções políticas, religiosas ou outras diferentes das minhas. Na verdade, isso pouco me interessa. Pelo que escreves sei que és uma pessoa boa como eu desejo ser. Assim é fácil ser amigo de alguém.

Foto minha num hotel perto de Veneza em Junho/2016
Recebi ontem o presente comentário - Mensagem.
Emocionei-me pela amizade e pelo carinho.
Tomei a decisão de o partilhar pois além de ser uma forma de agradecimento será sem dúvida uma forma de continuar oferecendo-vos o que tenho e o que sou nas memórias do tempo.
Um grande abraço João Teixeira.


2016/Junho24
Luiscoelho

segunda-feira, 6 de junho de 2016

A tua janela


















Museu de Leiria - foto minha

Vou passando por aqui,
Olhando a tua janela,
E bebendo as cores.
Vou sentindo as palavras
Suaves, soltas e belas
Que me rasgam a alma
De saudade e de dor.

Vou voando na brisa do tempo
Que me afaga a alma
Num doce tormento.
Vou rodando a cabeça 
Neste campo onde sonho
E dobrando as vontades
Sem que tal aconteça

Junho/2016
Luíscoelho

terça-feira, 24 de maio de 2016

O teu amor




O teu amor, meu amor, escreve-se com palavras brancas,
Que rasgam a pele numa melodia que encanta,
E nos deixam perdidos neste mar distante.

O teu amor, meu amor, escreve-se no correr dos ventos
Que incendeiam os olhos de novos pensamentos
E renovam esperanças de um querer reconfortante.

O teu amor, meu amor, escreve-se com o brilho da dor 
Que no reboliço das noites frias tem cruel sabor
E nos engravidam as veias desse veneno errante.  

O teu amor, meu amor, no mar é um porto de abrigo
Mas procurando refúgio encontramos duro castigo
De amar por amor cada vez mais forte e constante. 

O teu amor, meu amor, somos nós as estrelas e a cor,
Amando neste mar as dores são o querer viver
Sendo sempre nós, os melhores amantes.

luíscoelho
Maio/2016

domingo, 1 de maio de 2016

Dia da Mãe






Mãe
Queria dizer-te tanto
Queria olhar-te ainda mais,
Mas as palavras são o meu pranto
E de silêncio vesti meus ais.

Eterna saudade

Luíscoelho

2016/Maio/01

domingo, 24 de abril de 2016

25 de Abril





(foto minha)

25 de Abril de 2016
Aniversário do dia da liberdade
Um grito que continua a viver-se no silêncio dos campos,
Um grito que continua a viver-se no pão que nos roubam,
Que continua a rasgar-nos nos insultos que nos gritam
Vociferando palavras vazias de respeito,
Vazias de educação, saúde, justiça e igualdade.

25 de Abril festa da liberdade para os políticos 
Que se vestem das cores de impunidade
E enchem os tribunais da mais crua falsidade.
luiscoelho
25/Abril/2016

terça-feira, 5 de abril de 2016

A dor que trago no peito





(foto minha)

A dor que trago no peito
Acorda-me de madrugada
E quer eu queira ou não queira
Deixa-me muito amargurado
São recordações, são lembranças
Coisas de que não sou culpado
Vidas próprias do meu fado.

E quando o dia anoitece
Maior se tece a minha dor
Mais forte que tudo mais.
Tem aquele amargo sabor
Que se solta em leves ais.
Que mais queres tu de mim
Porque me segues assim?

Depois no silêncio de noite
Mais tu me fazes sofrer.
Se vivo eu não te despeço,
Mas tu já não me deixas viver.
Se amar-nos não podemos
Porque pedes tão alto preço?
Morrer já, eu não mereço.
Luíscoelho
Abril-05/2016

domingo, 27 de março de 2016

Pascoa - 2016

(foto google - o Ressuscitado ressuscita os mortos)

Gostaria de partilhar o acontecimento que mais me marcou nesta Pascoa.
Pouparei nas palavras desnecessárias.
Estávamos sozinhos em casa. Este ano não pudemos conviver com os nossos pais por terem falecido, nem com os nossos filhos por estarem ausentes por motivos de trabalho.

Cerca das doze horas a minha mulher disse:
- Podes pôr os talheres na mesa, eu vou fazer uma salada e muito rapidamente levo as coisas para almoçarmos.
Ainda não tínhamos terminado quando alguém tocou à campainha. 

- Boa tarde e boas festas para todos, disse-nos a Maria.
Gostava de falar com a a tua mulher. Entraram-me em casa, fecharam todas as portas e levaram as chaves. Estou desesperada. Já não sei o que hei-de fazer. Tenho 85 anos e não consigo entender tanta maldade. Pago as rendas, não devo nada ao senhorio mas ele não me deixa em paz.
Ontem insultou-me e ameaçou-me que eu tinha de sair daquela casa. Falou alto para quem quis ouvir.
Até fiquei envergonhada com tantas falsidades.

- A Maria tem de participar isto à Polícia.
- Eu já nem sei dos números que eu tinha junto do telefone. Devem tê-los levado também.
- Já almoçou?
- Não, mas vou arranjar alguma coisa quando chegar a casa se ainda conseguir entrar pela porta das trazeiras.

 - Venha cá! Entre e sente-se. Vou arranjar-lhe alguma coisa. Nós já almoçámos. Os pratos ainda estão na mesa.
Servimos-lhe um almoço simples e um copo de sumo. Depois dentro de um saco onde trazia um papel e uma caneta colocámos duas sandes e alguma fruta.
- Tenha coragem Maria. A vida está a ser muito dura, mas há-de haver alguma saída.
Amanhã com mais calma vai ligar para a polícia e para a Assistente Social que tem acompanhado o seu caso. Eles haverão de a ajudar. As autoridades devem ver estas situações.

Mais conformada e acarinhada a Maria lá seguiu de regresso a casa.
Nós trocamos um olhar silencioso e recordámos outros momentos. 
Jesus Ressuscitado visitou-nos e partilhou parte do Seu sofrimento.
Vamos todos partilhar o Pão de Cristo. Quem o recebe deve partilha-lo e será abençoado.
luíscoelho
27 de Março de 2016