sábado, 8 de julho de 2017

Porque me foges?


Porque me foges


Procurei-te perdidamente na brisa do mar.
Subi as rochas geladas, vi-te na noite,
Divertias-te como quem vive a vegetar,  
E cantavas como quem fala doces melodias.
Tinhas a voz embriagada pela multidão 
E vives, mas não sabes nem sentes o amor
Que me mata e tortura tão profundamente. 
Dor cega com desprezo, só de ti ausente.

Perdi-me a procurar-te no movimento dos corpos 
Nas ruas coloridas, despidas de convenções errantes.
Perdi-me nos sons que cresciam nos bares
Gritos vividos no calor de amores e de amantes
Cheiros da maresia que subia a cada instante.
Passei pelas vielas e muitos becos sem saída
Olhei para lá do que era sombra ou tinha vida
Mas terminei o meu regresso no início da partida.
Julho/2017
Luíscoelho

domingo, 2 de julho de 2017

Os teus olhos



Procuro nos teus olhos o brilho dos meus,
As cores que me escondes são a vida que eu amo,
São as estradas que eu sigo e nas dores já me tramo.
São estrelas de luz que me deixam perdido, 
São dias cinzentos, pintados de azul
Serão tudo o que eu quero se não for vencido.

Procuro, procuro na distância do tempo
Nos dias cansados de dor e lamentos.
Procuro, procuro num fio de esperança, 
Numa nesga de luz que me sopra o vento.
E quando te escondes e desvias o olhar
Viverei desse brilho que me faz amar.

Nesses olhos há feitiço que me faz sonhar,
Há esperança e amor, há tanto para dar,
E também houve vida que me quiseste roubar.
Nesses olhos houve dor e também desencanto
Nas cores que sonhamos de prazer sem pranto.
Nos teus olhos há vida que eu quero cantar.
Luíscoelho
Julho,2017,01

terça-feira, 6 de junho de 2017

Lágrima triste

Uma lágrima perdida
Teimava esconder-se
Do teu sorriso estudado.
Senti que era tempo
De a deixar correr,
De soltá-la sem ver,
A tua lenta partida.
E ainda mais magoado
Neste adeus a fazer-se
Por ter sido esquecida.

Uma lágrima triste,
Brilhando ao acaso,
Marejando nos olhos 
De amor e saudade,
Correu em silêncio
Sem dor nem maldade.
Foi um sonho desfeito, 
Despedida sem prazo
Que ao amor contrafeito 
Nem sempre resiste.
luíscoelho
2017/Junho

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2017

Quando me esqueces



Quando me esqueces
Já não me mereces
Neste grande amor
Que vivo por ti, mas tu desconheces.
Toda esta vida tem outro valor
Mas tu, nem do meu sofrer já te compadeces.

Quando me esqueces
Já me arrefeces
O nosso olhar se torna fogo frio,
E nos meus sonhos já não te aqueces
Nem as roupas quentes que alguém te despiu.
Não, não viverei o que me ofereces.

Quando me esqueces
De dor me enlouqueces,
Mas também recebes
A parte que mereces.

Fevereiro – 2017
Luíscoelho

terça-feira, 29 de novembro de 2016

Obrigado pelo abraço

Obrigado pelo abraço
Temas que nos varrem de emoções. Os dias passam, os sonhos voam,
Mas só o amor nos enche os corações. Obrigado pelo abraço
Que as flores guardam silenciosamente,
Perfumes que o vento transporta
E nos oferece ardilosamente
Quando cansado se vem deitar à nossa porta.
Obrigado pelo abraço
Desse amor que para mim não teve espaço,
Dessa vida agitada e sem guarida,
Tanta dor que trago em mim e me arrasta,
Tanto tempo que lamento não ter vida.
Obrigado pelo abraço
Que foi regaço onde dormi e descansei
Que foi sonho onde vivi e muito amei
Obrigado pelo abraço que me deste e eu te dei . luíscoelho - 2016/11/29

sábado, 5 de novembro de 2016

Beijos de madrugada



A noite voou-me das mãos
E abriu as portas da luz
Foi uma bênção de Deus
Que os nossos passos conduz.
E se partiu lentamente 
Sem nunca dizer adeus
Chegou a luz de mansinho
Pintando as cores da razão.

Depois que de mim partiste 
A noite ficou mais vazia.
Fizeram-se silêncios tristes
Que a dor do amor me fazia.
Se amar é este viver e sentir, 
Uma roda onde tudo se escreve,
Uma viagem sem ir nem vir
Também é sofrer como nunca viste.

A noite partiu sem me devolver
O perfume que trazias no olhar, 
O som dos teus beijos perdidos,
E até o amor que me fizeste jurar.
A madrugada que de luz me sobrou
Deu-me forças para não te temer, 
O nosso amor, já frio, terminou
E não terá força para renascer.

luícoelho
05/Nov/2016

terça-feira, 1 de novembro de 2016

O mar

Hoje fui ver o mar
Vi as suas danças,
Mudanças e correntes
Que as rochas vinham beijar.
Parei e desejei seguir os seus passos
Momentos que nos fazem ausentes 
Das coisas que desejamos sonhar.

Demos as mãos 
Trocámos emoções. 
Vimos e ouvimos os segredos do mar
Que em seus movimentos nos deu lições
Que iremos guardar.
Oceano profundo
Crescendo ao segundo sem nunca parar.

E agora que o sono está a chamar 
E já canta baixinho para não despertar,
Vou dizer boa noite, 
Vou adormecer e nas tuas ondas me vou embalar.
luíscoelho
01/Nov/2016