segunda-feira, 4 de janeiro de 2016

Procuro Deus




Procuro Deus, o meu Senhor,
Rei do tempo e do Universo.
Procuro-O no sopro do vento,
No sibilar destes versos.
Procuro-O no tempo de paz,
Na distância do pensamento,
E quando se fala de amor.
Procuro-O no silêncio dos gritos.
Na injustiça, fome e desamor.

Foi no olhar das crianças
Que aprendi a escutar-Te
Foi na sua simplicidade
Que aprendi a amar-Te.
Foi no luar das noites frias
Que me ensinaste a sonhar
E nas horas mais tardias
Que me ensinaste a perdoar.
Foi no silêncio dos mais velhos
Que aprendi o bom viver.
Foi nos seus gestos banais 
Que descobri o Teu Ser.
Luíscoelho
Fev/2015

Domingo à Tarde - 1ªparte







Foto google

Já era mais de meia tarde e hoje ainda não tínhamos saído de casa. O dia estava frio embora não estivesse a chover. 
Aos Domingos à tarde gostamos de dar uma volta. Costumamos dizer: Vamos arejar as ideias.
Gostamos de ir até São Pedro de Moel ver o mar.
Aquele mar imenso que nos enche de maresia e de sonho.

Estacionamos o carro e começamos uma caminhada.
Entre o Mar e a Estrada Atlântica, existe uma ciclovia e ainda um passeio reservado aos peões. Seguimos por aí, respirando a maresia que sobe pelas rochas e nos enche os pulmões. O azul das águas dá-nos as asas da liberdade.
Esquecemos o tempo e as preocupações e vamos namorando como se tivéssemos regressado a 1980, quando nos conhecemos.

Nestes dias apetece-me parar o tempo.
Gostaria de transportar aquela magia que o mar nos oferece e conservá-la viva até uma próxima visita.
O tempo não pára e o Farol no horizonte avisa-nos que está na hora do regresso.  Muitos dias voltamos acelerando o passo. 
Esquecemo-nos de nós e dos nossos afazeres. Uma coisa parecida como quando adormecemos e perdemos a noção das horas. 

Outros Domingos ficamos mais perto de casa.
Vivemos num tempo difícil. Temos de economizar. 
Nestas tardes, ficamos pela cidade e fazemos a nossa caminhada à beira rio. Não somos únicos. Muitas pessoas fazem o mesmo percurso. Alguns caminham com os carrinhos de bebé ou com os cães presos com um açaime. Outros guardam os seus pequeninos que guiam orgulhosamente as "Bikes" coloridas.
Nas tardes de Maio até Setembro, quando os dias são maiores, encontramos por ali  muitas pessoas nossas conhecidas que como nós descobriram o valor de caminhar e os benefícios que nos trás para a saúde.

À beira rio tem bancos para quem quer descansar ou simplesmente ver a paisagem.
Existem ainda aparelhos para melhorar a parte física dos que procuram  mais do que uma simples corrida ou caminhada. 
Aparelhos onde se podem fazer exercícios de musculação e outros de braços ou de pernas. 

A tarde hoje foi assim. Na próxima contar-vos-ei um assalto de que fomos vítimas no parque do Lidil, mas por sorte, saímos ilesos.

Domingo à Tarde - 2ª parte

Hoje não fomos fazer nenhum passeio. Decidimos ir às compras. Precisamos de reabastecer o frigorífico para a semana. Os almoços, as merendas e o jantar têm de ficar programados.

Começámos pelo Banco. Depois de actualizar a caderneta e ver o saldo, levantámos o indispensável para as necessidades de cada dia.
De seguida fomos comprar charcutaria, peixe e alguma fruta. Não nos importa a quantidade, mas a qualidade daquilo que compramos. Menos e melhor.
Também já fomos enganados.
Comprámos leite mais barato – promoção, que depois ninguém conseguiu beber. Azedava simplesmente.
Hoje tivemos necessidade de levar o saco. Já lançaram mais uma tacha sobre os sacos de plástico. Não sabemos para quê e nem porquê. Uma tacha que não tem cabimento nos nossos magros vencimentos.
Os políticos em vez de baixarem as suas mordomias, vencimentos e regalias vão lançando tachas e impostos que nos sobrecarregam a todos.
Já nos prevenimos. Agora andamos com sacos no carro e com uma moeda para os carrinhos do exterior. Depois do pagamento é mais fácil transportar tudo e arrumar as coisas como gostamos.
Nada se faz sem trabalho, mas juntemos a tudo boa disposição e espírito de organização.

A minha mulher sugeriu:
- Passemos pelo Lidil para ver se existem promoções. Já lá encontrámos diversas coisas para o lar e a preços compensadores.
- Calha em caminho. Respondi. Vamos até lá.
Depois de dar uma volta pelos corredores centrais, verificamos que não havia nada do que procurávamos.
Comprámos apenas dois chocolates. Quando passamos eles riem-se para nós e lá nas prateleiras, chamam baixinho:
- Leva-me! Estou em conta!...
Ui, aqueles com avelãs cegam-me. Nem sempre lhes resisto, mas também nem sempre os ouço chamar naquela melodia de encantamento.
Muitos dias entro surdo, cego e mudo.
Apenas vejo o que procuro e desapareço muito rapidamente, não vá o diabo tentar-me com aquilo que não preciso…

Estávamos no parque, junto do carro e com as portas abertas, quando se aproximou Skoda branco. Buzinou e dirigindo-se a mim, perguntou se estava tudo bem.
Depois saiu do carro e  veio estender-me a mão, num cumprimento um pouco estranho.
- Não se lembra de mim? Fui levar muitas cartinhas a sua casa. Eu trabalhei nos CTT.
- Não, respondi. Não conheço não.
 - Sabe eu tinha bigode. Agora estou diferente. Imediatamente pergunta:
- Posso cumprimentar a sua esposa?
Nem esperou pela resposta. Meteu-se à conversa com a minha mulher que já estava sentada dentro do carro, mas ainda com a porta aberta. A minha mulher confirmou que também não o conhecia.
- Olhe, continuou, agora sou chefe de vendas na Vorten. Se precisarem de alguma coisa procurem-me. Vou estacionar o meu carro e trazer-vos um cartãozinho.

Assim que ele virou costas, eu sentei-me ao volante e  saí dali acelerando o que podia. Depois fui vendo, pelo retrovisor, se estava a ser seguido…
A minha mulher dizia:
- Grande filho da mãe. Estafermo! Aquilo era um assalto. Ele deve-nos ter seguido desde o Banco. Não atacou antes para não criar desconfiança…

Em casa, contámos a história e todos confirmaram as nossas suspeições. Eles andam por aí. Atacam onde podem. As pessoas não desconfiam e depois é tarde demais.
Deveria haver ainda outros cúmplices na retaguarda deste fulano, mas não tive mais tempo para verificar. Era urgente sair dali.
Desta vez livrei-me de muitos problemas e aborrecimentos…
Sorte? Simplicidade?!...
Não sei mesmo, mas nesta tarde o meu Anjo da Guarda, estava perto e foi meu protector.
Luíscoelho
Março/2015 

Despertar


Foto minha- a anterior não sei porque desapareceu.

Despertar

Vim devagarinho para não te acordar.
Quis ver-te, olhar-te sem te incomodar
Os teus olhos meigos deixaram-me sonhar.
Foi o teu silêncio que me veio despertar
Esta força de amor que me faz caminhar.

Há caminhos diferentes em cada pessoa
São momentos nossos que Deus nos doa,
Sonhos que nascem num tempo que voa,
Amantes e amor jamais nos magoa
Em jardins proibidos, floridos à toa.

Meus olhos cansados, fechados não vão,
Transportam a luz que nos dá razão,
Semearam amor e carinho no teu coração.
E agora peço ao Bom Deus protecção:
- Que te guie e guarde.
Luíscoelho
Março/2015

Que Deus abençoe todas as mulheres

Viagem a Viseu - Março/2015



(ruínas)

No sábado ao anoitecer falámos de assuntos pendentes da quinta de Viseu. Era necessário ir ver como estão as coisas e resolver alguns assuntos pendentes.
No Domingo saímos de Leiria cerca das 10 horas. Desta vez seguimos pela A17 até à região da Figueira da Foz e depois tomámos a A14 até à saída Norte de Coimbra. Finalmente seguímos pelo IP3 até Viseu.

Este último é famoso pelos numerosos acidentes rodoviários.
O tráfego é bastante intenso e muitos condutores não respeitam as regras de transito nem o civismo com os outros condutores.
A viagem de ida foi bastante calma. Não havia movimento. 
Na A 17, numa distância de 50 km, contei cerca de nove viaturas que me ultrapassaram. Seguíamos numa média de 100 km/hora. No sentido oposto, do outro lado da autoestrada,  havia  mais movimento.

O Sol radiante iluminava a paisagem  e fazia sobressair o colorido das acácias que bordavam todo o trajecto. O tom amarelo dourado contrastava com o verde dos ramos e dos outros arbustos mais pequenos e mais baixos.
De quando em quando algumas aves maiores pousavam na berma da estrada. Não havia movimento bastante para as assustar ou talvez elas se tenham habituado a viver por por ali em comunhão com a natureza e o trânsito automóvel. 

Penso tratar-se de corvos ou outras aves de rapina que por ali vão encontrando alimentos. Existem répteis que se aventuram numa travessia das faixas de rodagem e acabam esmagados pelas rodas dos carros. Muitas vezes pequenas aves seguindo insectos em voos rasantes, esbarram-se  nos vidros ou na parte lateral dos automóveis.
No final de uma viagem a nossa viatura agradece um banho. Uma lavagem completa para apagar as marcas deixadas pelos mosquitos ou mesmo os dejectos das aves que nos acertam em cheio.

O regresso também foi calmo, mas com muito mais movimento. Chegámos a casa ao anoitecer. 
Muitas pessoas foram passar o fim de semana ao interior.
Depois fazem o retorno aos seus locais de estudo ou de trabalho no Domingo à tarde. 
Ontem já não foi possível fazer a lavagem, mas hoje vou deixar o meu popó  a brilhar. Ele merece. Teve um comportamento exemplar.
Deu-me muitas alegrias nesta viagem. Em subidas e em zonas de 2ª faixa portou-se lindamente deixando outros mais novos e potentes para trás numa boa distância.

Almoçamos em casa de familiares que nos receberam com muita alegria e no final ainda nos carregaram o carro com batatas e muita verdura fresca. Grelos e couves colhidas naquele momento.
Já não fazíamos esta viagem desde a morte da Sra Carminda. Faz este mês um ano. Fomos ao Cemitério onde colocamos um ramos de orquídeas  e fizemos uma pequena Oração.
- Senhor Deus todo poderoso, depois de uma vida de luta e de sofrimento, dai-lhe o descanso eterno na Vossa Luz e no Vosso Amor. Ela que acreditou merece o prémio da Salvação. 

A noite foi silenciosa e acolhedora.
Hoje revi estes apontamentos em memória e resolvi partilhá-los convosco. Espero que me desculpem a ousadia e a simplicidade.
Desejo a todos uma boa semana.
Luíscoelho
Março/2015

Pai e Mãe





Pai

Desenhei o silêncio do teu rosto
Palavras nunca ditas nos teus olhos
Tempo que juntos construímos  
Dias férteis de ledos desenganos
Grandes sonhos de que nunca desistimos.

Desenhei o silêncio do teu rosto
Sorrisos tracejados pelos anos
Estradas longas por onde caminhamos
Nervuras onde o tempo já fez danos
Distâncias onde sempre nos ligamos.

Desenhei o silêncio do teu rosto
Nas palavras escritas no meu ser
Aquelas que guardo e dou valor
Ser Pai é um ser grande com amor
E vivendo se transforma em criador.
Luíscoelho
2014/março/19

=Reeditado= Estas fotos datam de 1940 aproximadamente.
Lá no Céu onde se encontram que Deus os guarde.

Filho



(actividade escuteiros )

Filho é parte de mim
É vida que corre
É seiva e sangue sem fim.
Filho é amor
Que se cria com dor
E alimentamos com muito calor.
Filho é nuvem pesada
Como chuva amassada
E sem rota marcada.
Filho é um sonho criado
Vem num gesto amado.
Filho é partida,
Lágrima perdida
E em silencio vivida.
Mas filho é filho
Sem nó nem empecilho
Que nos ensina a viver
A dar, perdoar, esquecer.

25/Março/2015
luíscoelho