terça-feira, 24 de maio de 2016

O teu amor




O teu amor, meu amor, escreve-se com palavras brancas,
Que rasgam a pele numa melodia que encanta,
E nos deixam perdidos neste mar distante.

O teu amor, meu amor, escreve-se no correr dos ventos
Que incendeiam os olhos de novos pensamentos
E renovam esperanças de um querer reconfortante.

O teu amor, meu amor, escreve-se com o brilho da dor 
Que no reboliço das noites frias tem cruel sabor
E nos engravidam as veias desse veneno errante.  

O teu amor, meu amor, no mar é um porto de abrigo
Mas procurando refúgio encontramos duro castigo
De amar por amor cada vez mais forte e constante. 

O teu amor, meu amor, somos nós as estrelas e a cor,
Amando neste mar as dores são o querer viver
Sendo sempre nós, os melhores amantes.

luíscoelho
Maio/2016

domingo, 1 de maio de 2016

Dia da Mãe






Mãe
Queria dizer-te tanto
Queria olhar-te ainda mais,
Mas as palavras são o meu pranto
E de silêncio vesti meus ais.

Eterna saudade

Luíscoelho

2016/Maio/01

domingo, 24 de abril de 2016

25 de Abril





(foto minha)

25 de Abril de 2016
Aniversário do dia da liberdade
Um grito que continua a viver-se no silêncio dos campos,
Um grito que continua a viver-se no pão que nos roubam,
Que continua a rasgar-nos nos insultos que nos gritam
Vociferando palavras vazias de respeito,
Vazias de educação, saúde, justiça e igualdade.

25 de Abril festa da liberdade para os políticos 
Que se vestem das cores de impunidade
E enchem os tribunais da mais crua falsidade.
luiscoelho
25/Abril/2016

terça-feira, 5 de abril de 2016

A dor que trago no peito





(foto minha)

A dor que trago no peito
Acorda-me de madrugada
E quer eu queira ou não queira
Deixa-me muito amargurado
São recordações, são lembranças
Coisas de que não sou culpado
Vidas próprias do meu fado.

E quando o dia anoitece
Maior se tece a minha dor
Mais forte que tudo mais.
Tem aquele amargo sabor
Que se solta em leves ais.
Que mais queres tu de mim
Porque me segues assim?

Depois no silêncio de noite
Mais tu me fazes sofrer.
Se vivo eu não te despeço,
Mas tu já não me deixas viver.
Se amar-nos não podemos
Porque pedes tão alto preço?
Morrer já, eu não mereço.
Luíscoelho
Abril-05/2016

domingo, 27 de março de 2016

Pascoa - 2016

(foto google - o Ressuscitado ressuscita os mortos)

Gostaria de partilhar o acontecimento que mais me marcou nesta Pascoa.
Pouparei nas palavras desnecessárias.
Estávamos sozinhos em casa. Este ano não pudemos conviver com os nossos pais por terem falecido, nem com os nossos filhos por estarem ausentes por motivos de trabalho.

Cerca das doze horas a minha mulher disse:
- Podes pôr os talheres na mesa, eu vou fazer uma salada e muito rapidamente levo as coisas para almoçarmos.
Ainda não tínhamos terminado quando alguém tocou à campainha. 

- Boa tarde e boas festas para todos, disse-nos a Maria.
Gostava de falar com a a tua mulher. Entraram-me em casa, fecharam todas as portas e levaram as chaves. Estou desesperada. Já não sei o que hei-de fazer. Tenho 85 anos e não consigo entender tanta maldade. Pago as rendas, não devo nada ao senhorio mas ele não me deixa em paz.
Ontem insultou-me e ameaçou-me que eu tinha de sair daquela casa. Falou alto para quem quis ouvir.
Até fiquei envergonhada com tantas falsidades.

- A Maria tem de participar isto à Polícia.
- Eu já nem sei dos números que eu tinha junto do telefone. Devem tê-los levado também.
- Já almoçou?
- Não, mas vou arranjar alguma coisa quando chegar a casa se ainda conseguir entrar pela porta das trazeiras.

 - Venha cá! Entre e sente-se. Vou arranjar-lhe alguma coisa. Nós já almoçámos. Os pratos ainda estão na mesa.
Servimos-lhe um almoço simples e um copo de sumo. Depois dentro de um saco onde trazia um papel e uma caneta colocámos duas sandes e alguma fruta.
- Tenha coragem Maria. A vida está a ser muito dura, mas há-de haver alguma saída.
Amanhã com mais calma vai ligar para a polícia e para a Assistente Social que tem acompanhado o seu caso. Eles haverão de a ajudar. As autoridades devem ver estas situações.

Mais conformada e acarinhada a Maria lá seguiu de regresso a casa.
Nós trocamos um olhar silencioso e recordámos outros momentos. 
Jesus Ressuscitado visitou-nos e partilhou parte do Seu sofrimento.
Vamos todos partilhar o Pão de Cristo. Quem o recebe deve partilha-lo e será abençoado.
luíscoelho
27 de Março de 2016

sexta-feira, 25 de março de 2016

Desilusão





(Flores do meu jardim-foto minha)

Amor que me feriste a saudade
E me anoiteceste sem piedade
Deixa-me gemer, gritar à vontade
E procurar os cantos desta solidão.
Tu não sabes do amor toda a verdade,
Nem eu sei do amor toda a razão.

Vem o calor do tempo que o vento leva,
Mas  para a noite longa maior dor reserva.
Abraça-me e a força do amor já se renova,
Já aquece e fortalece o bater do coração,
Coisas simples que num abraço se comprova,
E também redobra a força desta paixão.

Amor, palavra solta, onde se perde a liberdade
E a vida renasce com sabor de igualdade.
Olhares que se vivem e partilham sem maldade
Vidas que se geram na própria identidade. 

luíscoelho
Março 25/2016

sábado, 19 de março de 2016

Pai




(foto minha) 

Longe ficam os dias do nosso olhar
Esse tempo que hoje quero recordar,
E longe ficam os dias de te ouvir falar
Esse tempo que não podemos  retomar.
Vem a saudade crescendo no meu peito
Semeando muita dor com mais efeito,
E novas lágrimas recordam o teu olhar
Naquele abraço que só tu sabias dar.
Fizeste-me parte desta vida e de ti
Tantas coisas que nunca mais esquecerei
Foi amor que recebi e também dei
Caminhos construídos e vividos
No grande amor da família que amei.
Pai, palavra simples mas muito bela
Recordar-te é acender-te na estrela mais singela.
luíscoelho
2016/03/19