Porque me foges

Procurei-te perdidamente na brisa do mar.
Subi as rochas geladas, vi-te na noite,
Divertias-te como quem vive a vegetar,
E cantavas como quem fala doces melodias.
Tinhas a voz embriagada pela multidão
E vives, mas não sabes nem sentes o amor
Que me mata e tortura tão profundamente.
Dor cega com desprezo, só de ti ausente.
Perdi-me a procurar-te no movimento dos corpos
Nas ruas coloridas, despidas de convenções errantes.
Perdi-me nos sons que cresciam nos bares
Gritos vividos no calor de amores e de amantes
Cheiros da maresia que subia a cada instante.
Passei pelas vielas e muitos becos sem saída
Olhei para lá do que era sombra ou tinha vida
Mas terminei o meu regresso no início da partida.
Julho/2017
Luíscoelho